Bem-vindo ao mais novo Priorado da OSMTH (Porto -PT) .

O Priorado do Rio de Janeiro foi constituído em 23 de Abril de 2013 por deliberação de S.A.E. Conde Dom Fernando Pinto de Sousa Fontes, Príncipe Regente e Grão Mestre da "Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitani - OSMTH", como consequência natural do sucesso obtido pelo desempenho da Representação anterior sob a forma de Comendadoria.

Hoje o Priorado congrega 8 Casas Templárias nos Estados do Paraná (3), São Paulo, Minas Gerais, Pará, Sergipe e Rio de Janeiro sob a responsabilidade de Cavaleiros Professos, com a missão de divulgar as atividades da Ordem e atuar ativamente nas áreas dos Direitos Humanos, Justiça Social, Ética, Decência e Moralidade, bem como em Campanhas de Solidariedade e de Preservação e Conservação do Meio Ambiente, seja participando ou denunciando irregularidades.

Para a próxima Investidura, que ocorrerá em 2014, já contamos com dezessete Postulantes, reflexo da participação ativa das Casas Templárias na formáção de novos Templários.

domingo, 2 de outubro de 2016

Caráter evangélico do voto

Caráter evangélico do voto

Por Frei Betto (OP)

"Nossa democracia precisa estar enraizada na pedra sólida de quem veio para servir a todos, e não para tirar proveitos e obter privilégios".

 

       Votar é um ato de caridade. Ou de egoísmo e, portanto, de ofensa ao próximo e a Deus. Posso votar com raiva, visando apenas derrotar o adversário de meu candidato. Ou porque espero obter da eleição algum benefício pessoal.

      O pior voto é o de quem se deixa seduzir pela propaganda enganosa. De quem vota por mera simpatia ao candidato, sem conhecer os seus reais compromissos e interesses. Ou de quem vota esperando receber algum benefício pessoal ou familiar, sem pensar na melhoria do município e dos direitos da população.

      Desde a Grécia antiga, votar é escolher quem deve administrar a cidade para o bem comum. A democracia nasceu imperfeita, pois entre os gregos eram poucos os homens ivres se comparados ao número de escravos, e imperfeita a democracia continua. Cabe a nós cidadãos, aperfeiçoa-la. 

      ESTÁ, AO ALCANCE DE NOSSO VOTO escolher vereadores e prefeitos que administrem o município em favor da maioria da população, e não de corporações ou da minoria que usa a máquina pública em benefício próprio, inclusive embolsando o dinheiro de nossos impostos pela via da corrupção.

      Votar bem nos exige espiritualidade. Torna-se um ato de caridade quando, ao me aproximar da urna, não penso em meus interesses, mas nos direitos daqueles que ainda se encontram sem acesso digno à alimentação de qualidade, à saúde, à educação à cultura, ao transporte público, à moradia e ao lazer.

      O olho do eleitor deve se estender para além de seu bairro e se perguntar como seu voto pode melhorar as condições de vida nas periferias, erradicar as favela, favorecer o transporte coletivo, ampliar o saneamento, e combater os cartéis de ônibus, as milícias e o narcotráfico.

      "Vim para que todos tenham vida e vida em abundância" (João 10,10), disse aquele que partilhou os pães e os peixes para saciar a fome da multidão. A vida é o dom maior de Deus. Portanto, não há exagero em afirmar que votar de acordo com a vontade de Deus é eleger vereadores e prefeitos que terão por meta favorecer a maioria da população do município, em especial os mais carentes de direitos.

      O voto de caridade não se pergunta se o candidato é cristão, espírita, adepto do candoblé ou ateu. "Nem todo aquele que se diz Senhor, entrará no Reino dos Céus" (Mateus 7,21).

       Há candidatos que posam de santinhos, são indicados por padres e pastores, enchem a boca com o nome de Jesus, mas são lobos em peles de ovelhas. Estão centrados em suas ambições políticas pessoais e vinculados aos interesses escusos das corporações que representam. São insensíveis aos dramas dos pobres e dos excluídos.

      Não nos dixemos enganar por belos discursos e sedutoras promessas. Procuremos nos informar sobre a vida pregressa de nossos candidatos. Verificar se, de fato, se empenharam pelo bem da maioria e lutaram contra os preconceitos e opressão.

      Caso contrário,estaremos semeando vento para colher tempestades. E a democracia brasileira já se encontra suficientemente fragilizada para alicerçarmos sua base - a eleição municipal - na areia movediça dos que, uma vez eleitos, cospem em nossos votos. Nossa democracia precisa estar enraizada na pedra sólida de quem veio para servir a todos, e não para tirar proveitos e obter privilégios.

 

Extraído do jornal O Globo, de 01.10.2016 

Arauto do Templo

 

 

 




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