Bem-vindo ao mais novo Priorado da OSMTH (Porto -PT) .

O Priorado do Rio de Janeiro foi constituído em 23 de Abril de 2013 por deliberação de S.A.E. Conde Dom Fernando Pinto de Sousa Fontes, Príncipe Regente e Grão Mestre da "Ordo Supremus Militaris Templi Hierosolymitani - OSMTH", como consequência natural do sucesso obtido pelo desempenho da Representação anterior sob a forma de Comendadoria.

Hoje o Priorado congrega 8 Casas Templárias nos Estados do Paraná (3), São Paulo, Minas Gerais, Pará, Sergipe e Rio de Janeiro sob a responsabilidade de Cavaleiros Professos, com a missão de divulgar as atividades da Ordem e atuar ativamente nas áreas dos Direitos Humanos, Justiça Social, Ética, Decência e Moralidade, bem como em Campanhas de Solidariedade e de Preservação e Conservação do Meio Ambiente, seja participando ou denunciando irregularidades.

Para a próxima Investidura, que ocorrerá em 2014, já contamos com dezessete Postulantes, reflexo da participação ativa das Casas Templárias na formáção de novos Templários.

sábado, 29 de outubro de 2016

Areligião do medo

Por: Frei Betto (OP)

 

“Convencer fiéis a abdicar de recursos para sustentar supostos arautos do divino é explorar os efeitos sem alertar para as causas.”

 

        Muitos cristãos foram educados na religião do medo. Medo do inferno, das chamas eternas, das artimanhas do demônio. E quando o medo se apodera de nós, adverte Freud, transforma-se em fobia. Recurso sempre utilizado por instituições autocráticas que procuram impor seus dogmas a ferro e fogo, de modo a induzir as pessoas a trocar a liberdade pela segurança.

        Quando se abre mão da liberdade, demite-se da consciência crítica, omite-se perante os desmandos do poder, acovarda-se agasalhado pelo nicho de uma suposta proteção superior. Foi assim na Igreja da Inquisição, na ditadura estalinista, no regime nazista. É assim a xenofobia ianque, o terrorismo islâmico e os segmentos religiosos que dão mais valor ao diabo que a Deus, e prometem livrar os fiéis de males através da vulgarização de exorcismos, curas milagrosas e outras panaceias para enganar os incautos.

        Em nome de uma ação missionária, milhões de indígenas foram exterminados na colonização da América Latina. Em nome da pureza ariana, o nazismo erigiu campos de extermínio. Em nome do socialismo, Stalin ceifou a vida de 20 milhões de camponeses. Em nome da defesa da democracia, o governo dos EUA semeia guerras e, no passado recente, implantou na América Latina sangrentas ditaduras.

        Convencer fiéis a abdicarem de recursos científicos, como a da medicina, e de boa parte da renda familiar para sustentar supostos arautos do divino é explorar os efeitos sem alertar para as causas. Já que, no Brasil, milagre é o povo ter acesso ao serviço de saúde de qualidade, haja engodo religioso travestido de milagre!

        A religião do medo alardeia que só ela é a verdadeira. As demais são heréticas, ímpias, idólatras ou demoníacas. Assim reforçam o fundamentalismo, desde o bélico, que considera inimigo todo aquele que não reza pelo seu livro sagrado, até o sutil, como o que discrimina os adeptos de outras tradições religiosas e sataniza os homossexuais e os ateus.

        A modernidade conquistou o Estado Laico e separou o poder político do poder religioso. Porém, há poderes políticos travestidos de poder religioso, como a convicção ianque do “destino manifesto”, como há poderes religiosos que se articulam para ocupar espaços políticos.

        Até o mercado se deixa impregnar de fetiche religioso ao tentar nos convencer de que devemos ter fé em sua “mão invisível” e prestar culto ao dinheiro. Como afirmou o papa Francisco em Assis, a 5 de Junho de 2013, “se há crianças que não tem o que comer (...) e uns sem abrigo morrem de frio na rua, não é notícia. Ao contrário, a diminuição de dez pontos na Bolsa de Valores constitui uma tragédia”.

        Uma religião que não pratica a tolerância nem respeita a divergência religiosa, e se nega a amar quem não reza pelo seu Credo, serve para ser lançada ao fogo. Uma religião que não defende os direitos dos pobres e excluídos é, como disse Jesus, mero “sepulcro caiado”. E quando ela enche de belas palavras os ouvidos dos fiéis, enquanto limpa seus bolsos em flagrante estelionato, não passa de um “covil de ladrões”.

        O critério para se avaliar um verdadeira religião não é o que ela diz de si mesma. É aquela cujos fiéis se empenham para que “todos tenham vida, e vida em abundância” (João 10,10) e abraçam a justiça como fonte de paz.

        Deus não quer ser servido e amado em livros sagrados, templos, dogmas e  preceitos. E sim naquele que foi “criado à Sua imagem e semelhança”: o ser humano, em especial aqueles que padecem de fome, sede, doença, abandono e opressão (Mateus 25, 36-41).

 

Transcrito do jornal O Globo, de 29.10.16

 

Arauto do Templo.    

 

 




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